Resumo técnico
Pontos-chave:

O texto apresenta, passo a passo, como avaliar a eficácia das medidas de redução do risco, bem como assegurar uma documentação coerente e a conformidade formal.

  • O artigo sublinha que é necessário verificar na prática se os dispositivos de segurança da máquina funcionam efetivamente.
  • Aborda a importância da conformidade com a Diretiva Máquinas, a marcação CE e outras diretivas, por exemplo, a ATEX.
  • Indica as normas harmonizadas como ponto de referência: ISO 12100, NP EN ISO 13849-1, NP EN 62061.
  • Descreve as etapas das verificações: verificação da documentação, análise do projeto em conformidade com as normas, testes em condições reais.
  • Recomenda auditorias e inspeções por entidades independentes, a fim de detetar não conformidades que possam ter sido ignoradas pela equipa de projeto.

Como verificar se uma máquina é segura: do ponto de vista de um engenheiro e de um empresário que constrói ou moderniza máquinas, é importante não só selecionar e conceber corretamente todas as soluções de proteção, mas também confirmar se essas proteções funcionam efetivamente na prática. O artigo abaixo explica, passo a passo, como verificar se as medidas preventivas e de redução de risco implementadas são eficazes, que normas e padrões vale a pena aplicar e como assegurar a parte formal da documentação (por exemplo, a declaração de conformidade) e a conformidade com os requisitos legais (incluindo a diretiva máquinas). Com este guia, vais saber a que aspetos deves dar especial atenção e que erros evitar, para teres a certeza de que a tua máquina é realmente segura.

Porque é tão importante verificar a eficácia das medidas de redução de risco?

Consequências da falta de uma verificação rigorosa

Muitos acidentes de trabalho graves têm origem não só em erros de conceção, mas também em falhas ao longo do processo de avaliação e verificação das proteções. Mesmo que o projeto de máquinas tenha sido executado de forma exemplar e as ações iniciais, como a avaliação de risco de máquinas, tenham sido realizadas a um nível elevado, uma verificação incorreta ou demasiado superficial do funcionamento real dos dispositivos de proteção pode fazer com que perigos potenciais passem despercebidos. Como resultado, o trabalhador ou o operador pode ficar exposto a um risco sério e a empresa pode enfrentar penalizações muito pesadas e perdas de reputação.

Importância da conformidade com os requisitos legais e as normas harmonizadas

O principal referencial para avaliar a segurança das máquinas são as normas harmonizadas, que indicam os requisitos relativos ao nível mínimo de segurança e à qualidade dos sistemas de segurança. Atualmente, para que uma máquina obtenha a marcação CE, têm de ser cumpridos tanto os requisitos descritos na diretiva máquinas como outras diretivas aplicáveis (por exemplo, ATEX, se o equipamento operar em zonas com risco de explosão).

Seguir rigorosamente as recomendações decorrentes das normas (como a ISO 12100, a NP EN ISO 13849-1 ou a NP EN 62061) não só aumenta o nível de segurança, como também simplifica os procedimentos de legalização (emissão da declaração de conformidade) e minimiza eventuais riscos legais.

Etapas fundamentais da verificação da eficácia das medidas de redução de risco

Verificação da documentação

O processo de verificação da eficácia começa logo por confirmar se todos os registos na documentação de projeto e nos relatórios de avaliação de risco são coerentes e completos. A documentação deve incluir:

  1. Resultados da avaliação de risco anterior (com a descrição da natureza dos perigos e das medidas de redução de risco).
  2. Descrições das soluções técnicas aplicadas: proteções físicas, cortinas de luz, dispositivos de paragem de emergência etc.
  3. Evidências de cumprimento dos requisitos das normas e regulamentos aplicáveis (incluindo confirmações de ensaios, atestados, certificados).
  4. Descrições detalhadas do âmbito das atividades de operação, bem como os procedimentos a adotar em situações de emergência.

Se existirem lacunas na documentação (por exemplo, se não houver explicação de como um determinado sistema de segurança deve funcionar na prática) ou se faltarem informações sobre testes específicos, é necessário completá-las. Também é essencial verificar se a documentação corresponde às soluções técnicas reais — durante a construção de máquinas, acontece que, no final, são introduzidas alterações que nem sempre ficam refletidas na documentação original.

Análise do projeto à luz das normas harmonizadas

Antes de avançarmos para os testes práticos do equipamento, vale a pena consultar as normas harmonizadas e verificar se os pressupostos de projeto e os mecanismos de segurança aplicados cumprem os respetivos requisitos. Deve verificar-se, entre outros aspetos:

  • O tipo de proteções e a sua eficácia (por exemplo, proteções fixas, proteções com bloqueio e sistema de monitorização, proteções ajustáveis).
  • Os sistemas de comando relacionados com a segurança — se a sua arquitetura (PLr, SIL etc.) está de acordo com o nível exigido.
  • A localização e a ergonomia dos elementos de proteção (por exemplo, botões de paragem de emergência, interruptores de fim de curso).
  • Eventuais registos na documentação relativos às zonas de perigo (incluindo zonas EX, se estiver em causa uma área ATEX).

Nesta etapa, é muitas vezes crucial contar com o apoio de especialistas (por exemplo, de um gabinete de engenharia), que ajudarão a avaliar o projeto quanto à compatibilidade com os requisitos e as diretrizes setoriais mais recentes.

Testes em condições reais

A etapa mais fiável é verificar o funcionamento da máquina já no ambiente de trabalho previsto. Estes testes são realizados para confirmar:

  1. A eficácia das proteções e de outros elementos de segurança:
    • As proteções impedem o acesso a zonas perigosas durante o funcionamento da máquina?
    • As cortinas de luz detetam eficazmente a presença de uma pessoa?
    • Os sistemas de bloqueio param a máquina no tempo exigido?
  2. O correto funcionamento dos sistemas de comando de segurança:
    • Os sensores de posição, os botões de paragem de emergência e outros elementos de deteção desencadeiam, de facto, as reações exigidas?
    • O equipamento consegue retomar o funcionamento normal apenas após a eliminação do perigo e mediante o cumprimento das condições adequadas de reinício?
    • Existe coerência lógica entre os módulos de automação e os elementos de segurança?
  3. O cumprimento da ergonomia e dos procedimentos de trabalho:
    • Os operadores têm acesso seguro aos elementos de comando?
    • Existe a possibilidade de arranque não intencional da máquina?
    • Os procedimentos de arranque, paragem de emergência e reinício estão devidamente descritos, são compreensíveis e são praticados?

Em função dos resultados dos testes em condições reais, pode revelar-se necessário introduzir alterações na conceção. Testes subsequentes devem confirmar se as correções implementadas eliminam eficazmente as não conformidades identificadas.

Auditorias e inspeções por entidades independentes

Na prática industrial, uma solução frequente e recomendada é convidar uma entidade independente e especializada para avaliar a segurança.

Uma auditoria de máquinas externa pode permitir detetar erros e não conformidades que passaram despercebidos aos engenheiros envolvidos no projeto. Esta perspetiva é, muitas vezes, inestimável para a confirmação final de que o nosso sistema de proteção foi concebido e executado de acordo com os mais elevados padrões.

Critérios de avaliação da eficácia das medidas de redução do risco

Nível de redução do risco

O principal indicador da eficácia das medidas de segurança é o nível de redução do risco que estas asseguram. Tanto as normas como o próprio processo de avaliação de riscos permitem determinar um nível aceitável (PLr ou SIL). A verificação deve demonstrar que as medidas de proteção instaladas atingem efetivamente o nível exigido. Caso contrário, é necessário aplicar tecnologias de segurança mais avançadas ou adotar medidas organizacionais adicionais.

Fiabilidade e manutenção ao longo do tempo

O sistema de segurança deve não só ser concebido para atuar numa situação de emergência, como também cumprir os requisitos de fiabilidade durante todo o período de utilização. Isto implica a realização de inspeções regulares, manutenção e testes periódicos. A verificação, nesta perspetiva, consiste em confirmar se a medida de redução do risco pode ser mantida no estado exigido (por exemplo, calibração frequente de sensores, controlo do estado da cablagem e dos contactos).

Clareza e intuitividade para o operador

Mesmo o sistema de segurança mais avançado pode revelar-se ineficaz se os operadores não souberem como utilizá-lo ou como reagir aos perigos sinalizados. Por isso, a verificação deve incluir também:

  • Formação do pessoal que opera o equipamento.
  • Sinalização clara dos elementos de comando e de segurança.
  • Procedimentos simples e compreensíveis (por exemplo, sequências de arranque/paragem, possibilidade de desligar rapidamente a máquina em caso de avaria).

Problemas e erros mais frequentes no processo de verificação

  1. Avaliação demasiado superficial da funcionalidade das medidas de segurança – por exemplo, apenas verificar visualmente se as proteções estão montadas, sem testes dinâmicos ou medições do tempo de paragem.
  2. Falta de integração dos sistemas de segurança com o sistema de comando da máquina – como consequência, as medidas de segurança funcionam apenas em teoria e, na prática, podem ser contornadas ou desativadas.
  3. Documentação insuficiente que comprove a conformidade com as normas – a ausência de relatórios de ensaio ou de registos de testes pode dificultar a obtenção da marcação CE e da declaração de conformidade formal.
  4. Não consideração do ambiente de trabalho – a máquina pode funcionar corretamente em laboratório, mas em condições de produção exigentes (poeiras, vibrações, temperatura elevada, zona ATEX, etc.) o sistema de segurança tende a estar mais exposto a avarias e erros.

Importância da modernização e da melhoria contínua

Na indústria moderna, as máquinas são frequentemente alvo de modernizações. As alterações podem incluir tanto o redesenho completo de máquinas como a adaptação de soluções existentes a novas necessidades de produção. Cada modernização implica a necessidade de voltar a verificar a eficácia das medidas de redução do risco. Ao introduzir mesmo pequenas modificações (por exemplo, a instalação de uma nova câmara de visão, a alteração do controlador, a adição de um novo módulo da linha de produção), é necessário verificar:

  • Se surgem novos perigos associados às novas funções?
  • Se as medidas de segurança existentes continuam a ser suficientes e se interagem corretamente com os novos componentes?
  • Se é necessário realizar testes adicionais de conformidade com as normas em vigor?

Só um resultado positivo desta reavaliação permite a continuação da exploração ou a emissão de documentação atualizada (declaração de conformidade).

Métodos e ferramentas de verificação — exemplos

Lista de verificação

É uma das ferramentas mais básicas e, ao mesmo tempo, muito eficaz para estruturar a revisão. Uma lista de verificação (check-list) bem concebida permite avaliar, passo a passo, diferentes áreas de segurança:

  • Se todos os elementos perigosos da máquina estão devidamente protegidos?
  • Se os dispositivos de emergência (paragem de emergência, interruptores de segurança) são de fácil acesso e estão identificados?
  • Se a documentação está completa, atualizada e em conformidade com o estado real?

Análise HAZOP

Trata-se de uma metodologia amplamente utilizada na indústria de processos, mas que também pode ser aplicada à avaliação de máquinas. A HAZOP baseia-se na revisão sistemática de cada etapa do processo tecnológico e na identificação de possíveis desvios face aos pressupostos de projeto, que podem conduzir a situações perigosas. No âmbito da verificação da segurança da máquina, isto permite revelar pontos fracos nos sistemas de controlo ou na interação homem-máquina.

Análise FMEA (Failure Mode and Effects Analysis)

No contexto da segurança, a análise FMEA centra-se na identificação das potenciais causas de falha (os chamados failure modes), dos seus efeitos (effects) e na avaliação de quão graves podem ser as consequências (severity), com que frequência podem ocorrer (occurrence) e se são detetáveis (detection). A verificação baseada em FMEA permite confirmar se as medidas de redução do risco instaladas contrariam de forma eficaz os cenários de falha mais críticos.

Testes de aceitação SAT e FAT

Em projetos de grande dimensão de máquinas e linhas de produção, utilizam-se os testes FAT (Factory Acceptance Test) e SAT (Site Acceptance Test). O primeiro é realizado antes do envio da máquina concluída a partir das instalações do fabricante; o segundo, já no local de destino, após a integração com o sistema de produção. A verificação de segurança é uma parte importante destes testes, permitindo confirmar se o equipamento cumpre os requisitos acordados no contrato e as exigências de segurança.

Documentação dos resultados da verificação

Após a conclusão do processo de verificação, é extremamente importante documentar cuidadosamente os seus resultados. Normalmente, é elaborado um relatório, que deve incluir:

  1. Descrição da metodologia e do âmbito da verificação – por exemplo, que testes e análises foram realizados e com base em que critérios foram definidos os critérios de avaliação.
  2. Resultados com fotografias e medições – por exemplo, se o tempo de paragem de emergência se encontra dentro dos limites previstos pela norma, quais são as tolerâncias dos sensores.
  3. Conclusões e recomendações – se as proteções são suficientes, se é necessário introduzir alterações e quais têm prioridade.
  4. Assinaturas das pessoas responsáveis – tanto de quem realizou a verificação como de quem supervisionou a sua execução.

Este relatório constitui um apoio inestimável em caso de auditorias externas ou de eventuais investigações de acidentes.

Verificação de segurança, marcação CE e declaração de conformidade

Para que um equipamento possa ser colocado no mercado na União Europeia, é necessário marcá-lo com a marcação CE e emitir uma declaração de conformidade. Uma das condições para a emissão da declaração é, entre outras, o cumprimento dos requisitos essenciais definidos na legislação (sobretudo na diretiva máquinas ou no novo Regulamento da UE relativo às Máquinas) e a confirmação (com base na documentação e nos testes) de que o risco foi reduzido para um nível aceitável.

A verificação da eficácia das medidas de redução do risco é, por isso, uma parte integrante do processo de certificação e da avaliação da conformidade. Assim, se o fabricante ou o importador não realizar um processo de verificação robusto, podem surgir dúvidas sérias quanto à correção da marcação do equipamento. Em casos extremos, isto pode levar à anulação da declaração de conformidade e à necessidade de retirar o produto do mercado.

A realização de uma verificação robusta permite não só proteger a saúde e a vida dos trabalhadores, como também construir a imagem de um fabricante credível e evitar consequências legais. Lembre-se de que, numa época de alterações rápidas da regulamentação e de desenvolvimento tecnológico dinâmico, vale a pena manter-se a par das novidades do setor e recorrer ao apoio especializado disponibilizado por peritos e portais da área.

Como verificar se uma máquina é segura?

Comece pela verificação da documentação: se a avaliação de risco, as descrições dos perigos e as medidas de redução do risco aplicadas são completas e coerentes. É também necessário confirmar que a documentação corresponde à execução real da máquina, especialmente após alterações durante a construção ou a modernização.

As normas harmonizadas indicam os requisitos mínimos relativos à segurança e à qualidade dos sistemas de segurança. Na prática, verifica-se, entre outros aspetos, a conformidade dos pressupostos com a ISO 12100, a NP EN ISO 13849-1 e a NP EN 62061, bem como com os requisitos da Diretiva Máquinas no contexto da marcação CE.

Analisa-se o tipo e a eficácia das proteções, a arquitetura dos sistemas de comando relacionados com a segurança (p. ex., PLr, SIL) e a disposição dos dispositivos de proteção, como a paragem de emergência. Se aplicável, têm-se também em conta os requisitos relativos às zonas de risco, incluindo EX no contexto da ATEX.

Os testes devem confirmar que os resguardos e os dispositivos de proteção efetivamente impedem o acesso às zonas perigosas e desencadeiam as reações exigidas (p. ex., paragem dentro do tempo previsto). Verifica-se também a lógica de reinício, a interação da automação com as funções de segurança e o risco de arranque involuntário durante as atividades típicas do operador.

Sim, uma inspeção independente pode detetar não conformidades que tenham passado despercebidas à equipa de projeto e fornecer uma confirmação adicional da qualidade das soluções. Esse tipo de auditoria apoia a avaliação final sobre se as medidas de redução do risco foram concebidas e implementadas em conformidade com os requisitos.

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